Rebecca More nasceu em novembro de 1996, na região metropolitana de Londres, e desde cedo demonstrou uma personalidade forte e independente. Cresceu em um ambiente que valorizava a expressão artística, mas a timidez a acompanhou durante a adolescência. Foi nesse período que começou a explorar a própria sexualidade de forma mais aberta, através de diários e conversas com amigas próximas. Aos 18 anos, enquanto cursava faculdade de artes visuais, participou de um ensaio fotográfico amador para um projeto de um colega. As imagens chamaram a atenção de um olheiro que atuava na indústria adulta britânica, mas Rebecca recusou a primeira proposta, sentindo que ainda não estava pronta para expor sua intimidade profissionalmente.
Após dois anos trabalhando como garçonete e modelo de catálogo, Rebecca sentiu que faltava propósito em sua rotina. Em 2017, ao assistir a um documentário sobre a liberdade sexual no cinema europeu, percebeu que seu interesse pelo corpo e pela performance poderia ser canalizado de maneira profissional. Entrou em contato com uma agência especializada em São Paulo – já que estava avaliando oportunidades internacionais – e passou por um processo de seleção que incluía entrevistas psicológicas e testes de câmera. A primeira cena foi gravada em um estúdio nos arredores de Londres, com uma colega mais experiente que a orientou sobre os protocolos de segurança e a importância do consentimento explícito. Rebecca descreve essa experiência como “um choque de realidade e libertação”, pois sentiu que finalmente unia a arte que estudava com a expressão corporal genuína.
Em 2019, Rebecca assinou contrato com produtoras norte‑americanas e europeias, o que a levou a viajar para Los Angeles e Barcelona. Durante uma turnê de filmagens na América Latina, decidiu se estabelecer temporariamente no Brasil, onde se encantou pela cultura e pela forma direta como os brasileiros tratam o trabalho adulto. Em 2021, lançou sua própria plataforma de conteúdo exclusivo, focada em narrativas autobiográficas e cenas dirigidas por ela mesma. Nesse período, recebeu indicações ao prêmio AVN na categoria “Melhor Cena de Sexo Lésbico” e ao XBIZ Europa Award, consolidando seu nome como uma profissional que valoriza a autenticidade. Rebecca costuma contar que a parte mais desafiadora foi manter a saúde mental em meio a julgamentos familiares, mas que o apoio de uma terapeuta especializada em sexualidade a ajudou a ressignificar esses conflitos.
Em entrevistas recentes, Rebecca More destacou três momentos que moldaram sua trajetória: a primeira gravação com uma mulher transgênero, que a fez repensar seus próprios preconceitos; a participação em um festival de cinema erótico no Rio de Janeiro, onde atuou também como palestrante sobre saúde sexual; e a criação de um podcast semanal onde conversa com fãs sobre consentimento, limites e prazer. Ela afirma que o maior aprendizado foi entender que sua carreira não é sobre performance para os outros, mas sobre o domínio do próprio corpo e das próprias escolhas. Atualmente, Rebecca divide seu tempo entre Londres e São Paulo, e está desenvolvendo um roteiro para um curta-metragem independente que aborda a solidão pós‑separação, inspirado em suas vivências afetivas fora dos sets.
Rebecca mantém perfis ativos no Twitter e no Instagram, onde compartilha reflexões sobre o trabalho adulto e fotos do cotidiano. Ela percebeu que a exposição constante exige um cuidado redobrado com a imagem pública, e por isso decidiu não mostrar o rosto em conteúdos explícitos desde 2022 – estratégia que, segundo ela, “preserva a intimidade e evita que a pessoa seja reduzida a um produto”. Essa decisão gerou debates entre seguidores, mas também aumentou a procura por seus materiais mais autorais. Em seu canal no Telegram, criou um grupo fechado para debates sobre educação sexual, com a participação de psicólogos e sexólogos, reforçando seu compromisso com a informação de qualidade. A artista acredita que sua maior contribuição é mostrar que é possível ser bem‑sucedida sem abrir mão dos próprios valores.